domingo, junho 03, 2007

um Q de sonho




Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.

Nuno Júdice

3 comentários:

jj disse...

Nuno Júdice... gosto tanto! Este é um pouco amargo e frio, como o café (que eu nao bebo), mas nao deixa de ser um belo poema. Arrepiei-me. Com a beleza do poema, com o facto de ter tido um sonho mau, olha um sonho destes, assim... porque a poesia por vezes consegue ser mais real que tudo o resto.

Jinhos.

Haddock disse...

post perfeito! parabéns (por ele e pelo castanho...)

aoutrametade disse...

Adorei estas palavras, são para mim? Claro. Um grande Bj.