sábado, novembro 17, 2007

TEMPO



O JOGO



Eu, sabendo que te amo,


E como as coisas de amor são difíceis,


Preparo em silêncio a mesa


do jogo, estendo as peças


sobre o tabuleiro, disponho os lugares


necessários para que tudo


comece: as cadeiras


uma em frente da outra, embora saiba


que as mãos não se podem tocar,


e que para além das dificuldades,


hesitações, recuos


ou avanços possíveis, só os olhos


transportam, talvez, uma hipótese


de entendimento. É então que chegas,


e como se um vento do norte


entrasse por uma janela aberta,


o jogo inteiro voa pelos ares,


o frio enche-te os olhos de lágrimas,


e empurras-me para dentro, onde


o fogo consome o que resta


do nosso quebra-cabeças.





Nuno Júdice

2 comentários:

Canis Lupus Horribilis disse...

Hummm!
O Algarve na máxima potência.
Inspirador sem dúvida.

Matchbox30 disse...

Complicadinho!